Relatório identifica agrotóxicos na água potável em mais de 150 cidades de SC; veja quais foram encontrados
20/02/2026
(Foto: Reprodução) Mesmo em níveis autorizados, 42 tipos de resíduos foram encontrados em SC
Um relatório do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) identificou agrotóxicos na água potável de 155 municípios. As análises feitas encontraram 42 substâncias, incluindo algumas que têm uso e venda proibidos no Brasil, o que acendeu um alerta no órgão (veja lista ao final da matéria).
A região Sul apresentou a maior proporção de municípios com registros: 76,1%. Depois aparecem a Grande Florianópolis (57,1%), o Oeste (53,4%), o Vale do Itajaí (44,4%), o Norte (42,3%) e a Serra catarinense (33,3%).
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Segundo o MPSC, todas as cidades catarinenses tiveram amostras analisadas entre 2018 e 2023, e os resultados foram enviados ao Ministério da Saúde. Procurado pela NSC TV, o Ministério da Saúde não confirmou se recebeu o relatório nem informou quais medidas pretende adotar.
Torneira com água
Igor Jácome/g1
De acordo com a coordenadora do Centro de Apoio Operacional do MPSC, Aline Restel Trennepohl, embora os níveis de resíduos de agrotóxicos detectados estejam dentro dos limites permitidos pela legislação, existem riscos à saúde e a necessidade de reforçar a fiscalização.
“Também chama a atenção o fato de algumas das substâncias encontradas já estarem proibidas no Brasil, algumas há vários anos. Isso mostra que, possivelmente, elas ainda estão entrando no território nacional.”, diz.
O relatório também identificou cidades com grande variedade de substâncias ao mesmo tempo. Ituporanga apresentou 23 tipos de agrotóxicos e Imbuia, 17. Para Aline, o cenário indica falhas no uso e no controle dos produtos.
Segundo o professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), Carlyle Torres Bezerra de Menezes, mesmo concentrações baixas podem representar risco. Ele alerta para o “efeito sinérgico”, quando substâncias diferentes interagem entre si e podem ampliar impactos à saúde.
"Você tem aí um problema sério. Mesmo que os níveis, como o relatório aponta, estejam abaixo dos limites, foi muito bem apontado no relatório, o que nós chamamos de “efeito sinérgico”, ou seja, da interação dele com outros compostos ali presentes", explicou.
O que dizem os órgãos?
A Secretaria de Estado da Saúde (SES) informou à NSC TV que Santa Catarina segue as diretrizes nacionais para avaliar a presença de substâncias na água. Segundo o órgão, a detecção de agrotóxicos é permitida desde que em baixas quantidades.
Já a Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan), responsável pelo abastecimento de mais de 190 municípios, afirmou que não encontrou contaminação por agrotóxicos na água distribuída pela empresa. A companhia diz manter monitoramento com análises semestrais.
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🚰 Agrotóxicos banidos no Brasil e cidades onde foram encontrados
1. Benomil / Carbendazim
Banimento:
RDC Anvisa nº 347/2002
RDC Anvisa nº 739/2022
Municípios e anos da análise:
Arvoredo (2019)
Braço do Trombudo (2019)
Ituporanga (2023)
José Boiteux (2019)
Mafra (2023)
Quilombo (2019)
Rio Negrinho (2023)
Santa Rosa de Lima (2019)
2. Carbofurano
Banimento:
RDC Anvisa nº 185/2017
Município:
Balneário Camboriú (2019)
3. Haloxifope metílico
Banimento:
RDC Anvisa nº 347/2002
Município:
Rancho Queimado (2022)
4. Metolacloro
Banimento:
Resolução-RE Anvisa nº 1.967/2019
Municípios e anos da análise:
Camboriú (2019)
Canelinha (2022)
Ilhota (2018)
Imbuia (2019, 2022, 2023)
Itaiópolis (2022)
Ituporanga (2018, 2022, 2023)
Jaguaruna (2018)
Mafra (2018)
Rio do Sul / Agronômica / Aurora / Laurentino / Lontras (2018)
Rio Negrinho (2018)
São João do Sul (2019, 2022, 2023)
Schroeder (2018)
União do Oeste (2019)
5. Molinato
Banimento:
Resolução‑RE Anvisa nº 1.967/2019
Municípios:
Imbuia (2023)
São Martinho (2019)
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